"http://www.w3.org/TR/xhtml1/DTD/xhtml1-strict.dtd"> some echoes

sexta-feira, maio 19

Vórtice

Gemido, rio incontido
Sede de chuva repentina
Obstinada fúria, à nossa revelia
Sóbria como o próprio cortejo
Ansiosa por morder qualquer desejo
Carícias de tacto transparente
Ao sabor de uma súbita corrente
No leito da noite rubra
Arde a volúpia acerada da pele nua
Derrama-se o liquido
O corpo é infinito
Voz opiada
Alma copulada
Sucumbem os corpos em vagas
Adormeço sobre espelhos de água

quarta-feira, abril 26

Corpo do poema


Desliza a pena em minha mão
Grávida e plena de emoção
Desperta o pensamento dormente
Devota, submissa, afluente

Lânguida geme e ávida molha-se
Corpo adentro, dentro se revendo
Num traço contínuo e denso
Germina a palavra seu sentir imenso

No silêncio, no grito
No brilho do sorriso que diviso
A palavra é lágrima de tantas mágoas
O clarão olhar, irmão de outras águas

E eu me crio com um traço de pena
Imprimo vida ao corpo do poema
Em chuvas e prantos
Em orvalhos de encantos
Do vinho silábico brota o tema
Faço-me ponto de tinta em folha alva
Renasço como poema
Apenas alma

domingo, abril 23

Eco


Oculto em névoa ele levita
Nas noites ermas que habita
O silêncio em seu ladino concílio
Disfarça e finge não ouvir
Mas o eco desafia e ateia a chama
Do sentir que desperta e clama
O pensamento, timbre agudo ele imita
Escuta o som da voz, da respiração
Sente o fragor da alma com emoção
Grita no vazio onde nem tudo é permitido
Acariciando a lágrima derramada
Numa aquarela respingada
Teima, brinca e oscila
Deixa-se fluir, linfa, comigo